O seguro de um carro elétrico custa, na mediana, 3,7% do valor do veículo, enquanto o modelo a gasolina consome 3,4%. Embora o seguro do elétrico seja ligeiramente mais caro, a economia com combustível pode compensar essa diferença. A decisão depende do seu perfil de uso, do preço do automóvel e de como você planeja rodar.
O que muda no seu bolso
- Quem tem reserva no CDB: Diferença de R$ 450,00 anuais no seguro do elétrico consome quase quatro vezes o rendimento de uma aplicação de R$ 15.000,00 a 0,78% ao ano.
- Quem paga aluguel: O seguro anual de um carro elétrico de R$ 150.000,00 custa R$ 5.550,00, o equivalente a quase três meses de um aluguel de R$ 2.000,00.
- Quem tem dívida no cartão: Optar por um veículo híbrido em vez de um elétrico de R$ 150.000,00 gera economia de R$ 1.500,00 por ano no seguro para amortizar juros.
O que é e como funciona o seguro para elétricos
O seguro de automóvel para modelos eletrificados funciona de forma semelhante ao de carros tradicionais, mas possui coberturas específicas. Ele protege o proprietário contra roubo, furto, colisões e danos a terceiros. A grande diferença está nos componentes segurados, especialmente a bateria, que representa a parte mais cara do veículo elétrico.
Existem duas categorias principais de veículos eletrificados no mercado brasileiro. Os veículos híbridos combinam um motor elétrico com um motor a combustão interna. Já os veículos 100% elétricos funcionam exclusivamente com energia armazenada em baterias recarregáveis, sem queimar combustíveis fósseis.
As seguradoras avaliam o risco de forma diferente para esses modelos. Como a tecnologia é mais recente e a rede de oficinas especializadas é menor, o custo de reparação de um carro elétrico após uma colisão costuma ser elevado. Por isso, as apólices de seguro — que são os contratos formais de seguro — trazem cláusulas específicas para a substituição de componentes eletrônicos de alta tensão e cabos de carregamento.
Quanto custa o seguro na prática
Os custos de seguro variam conforme a motorização do veículo. De acordo com dados do Índice de Preço do Seguro de Automóvel (IPSA), apurado pela empresa TEx para o período de junho de 2026, as medianas das apólices de veículos com até dois anos de uso apresentam os seguintes percentuais em relação ao valor do automóvel:
- Veículos elétricos: 3,7% do valor do automóvel.
- Veículos a gasolina: 3,4% do valor do automóvel.
- Veículos movidos a diesel: 3,1% do valor do automóvel.
- Veículos híbridos: 2,7% do valor do automóvel.
A diferença proporcional do custo do seguro de veículos elétricos em relação aos modelos a gasolina era de exatamente 0,3 ponto percentual em junho de 2026, segundo a TEx. Para os modelos híbridos, o cenário é ainda mais favorável, registrando a menor mediana de custo proporcional entre todas as categorias analisadas (2,7%).
Para entender o impacto real desses percentuais no orçamento de quem vive de salário, vamos analisar três perfis de consumidores com base em um carro elétrico hipotético de R$ 150.000,00 e um modelo equivalente a gasolina de mesmo valor:
1. Quem tem reserva no CDB: Considere um trabalhador que possui R$ 15.000,00 aplicados em um CDB que rende 100% do CDI. Com o CDI anualizado em 0,78% em 01/08/2026 (dado oficial do Banco Central), essa reserva rende R$ 117,00 brutos em um ano. Se este consumidor optar pelo carro elétrico de R$ 150.000,00, a mediana do seguro (3,7%) custará R$ 5.550,00 por ano. Se escolher o modelo a gasolina (3,4%), o seguro custará R$ 5.100,00 por ano. A diferença de R$ 450,00 anuais a mais no seguro do elétrico consome quase quatro vezes o rendimento anual de sua reserva de R$ 15.000,00 no CDB.
2. Quem paga aluguel: Para um inquilino que paga um aluguel de R$ 2.000,00 por mês (R$ 24.000,00 por ano), o custo anual do seguro de um carro elétrico de R$ 150.000,00 (R$ 5.550,00) equivale a quase três meses de aluguel. No caso do modelo híbrido de mesmo valor, com seguro mediano de 2,7% (R$ 4.050,00 por ano), o custo cai para o equivalente a cerca de dois meses de aluguel, gerando uma economia de R$ 1.500,00 por ano em relação ao seguro do 100% elétrico.
3. Quem tem dívida no cartão de crédito: Para quem está pagando juros rotativos de cartão de crédito, cada real economizado é vital para quitar o saldo devedor. A diferença de R$ 450,00 por ano entre o seguro do carro elétrico (R$ 5.550,00) e o do modelo a gasolina (R$ 5.100,00) representa R$ 37,50 por mês. Esse valor economizado mensalmente ao optar pelo modelo a combustão poderia ser direcionado para amortizar a dívida do cartão, evitando o efeito dos juros compostos sobre o saldo devedor.
Comparativo de custos de seguro por motorização
A tabela abaixo compara as opções reais do mercado brasileiro com base nos dados de junho de 2026 divulgados pela TEx, considerando um veículo referencial com valor de mercado de R$ 100.000,00 para facilitar a visualização da proporção de custos:
| Tipo de Motorização | Custo Mediano do Seguro (% do valor do carro) | Custo Anual para Carro de R$ 100.000,00 | Diferença em Relação ao Modelo a Gasolina |
|---|---|---|---|
| Híbrido | 2,7% | R$ 2.700,00 | – R$ 700,00 (Mais barato) |
| Diesel | 3,1% | R$ 3.100,00 | – R$ 300,00 (Mais barato) |
| Gasolina | 3,4% | R$ 3.400,00 | Referência |
| Elétrico (100%) | 3,7% | R$ 3.700,00 | + R$ 300,00 (Mais caro) |
Apesar de o seguro do carro 100% elétrico ser o mais caro proporcionalmente, o mercado apresenta forte expansão. Segundo dados do Grupo HDI, as cotações de seguros para veículos eletrificados cresceram aproximadamente 90% nos últimos 12 meses, enquanto as contratações avançaram cerca de 65%, elevando a carteira da seguradora nesse segmento em aproximadamente 70%. Para os modelos 100% elétricos, o crescimento foi ainda maior: as cotações no Grupo HDI subiram cerca de 130% e as contratações cresceram aproximadamente 90% nos últimos 12 meses.
Passo a passo para contratar o seguro do seu elétrico
- Pesquise o valor de mercado do veículo: Utilize a tabela de referência do mercado para saber o preço médio do modelo elétrico ou híbrido desejado.
- Consulte a rede de recarga na sua região: Verifique a disponibilidade de carregadores. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico aponta que o Brasil possui pelo menos 25.429 pontos de recarga para veículos elétricos.
- Solicite cotações específicas para eletrificados: Peça ao seu corretor simulações em seguradoras que possuem carteiras ativas para essa tecnologia, como o Grupo HDI.
- Avalie a cobertura da bateria e cabos: Certifique-se de que a apólice cobre danos causados por oscilações de energia durante a recarga e danos físicos à bateria em caso de colisão.
- Verifique o serviço de guincho: Confirme se a assistência 24 horas oferece reboque sem limite de quilometragem ou com distância suficiente até o ponto de recarga rápida mais próximo.
- Compare a franquia: A franquia é o valor que você paga diretamente à oficina em caso de sinistro parcial. Avalie se o valor da franquia do elétrico cabe no seu orçamento de emergência.
Erros que custam caro na escolha e contratação
- Não contratar cobertura para o carregador residencial: Se você carregar o carro em casa e houver um curto-circuito que queime o carregador de parede (wallbox), o prejuízo de reposição do aparelho será integralmente seu caso essa cobertura extra não esteja contratada.
- Omitir o uso de carregadores públicos no perfil de risco: Informar que o carro pernoita apenas em garagem fechada, mas deixá-lo exposto diariamente em pontos de recarga públicos na rua pode fazer a seguradora recusar o pagamento de indenização em caso de furto.
- Ignorar a quilometragem do guincho de socorro: Ficar sem bateria em uma rodovia distante e descobrir que o guincho gratuito da sua apólice cobre apenas 100 quilômetros pode gerar uma despesa extra pesada com reboque particular até o ponto de recarga mais próximo.
- Não avaliar o custo da franquia antes de fechar o contrato: Como as peças de reposição de carros elétricos são importadas e caras, algumas seguradoras cobram franquias elevadíssimas. Não checar esse valor pode inviabilizar o conserto do carro após uma colisão leve.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença de preço do seguro do carro elétrico para o a gasolina?
Em junho de 2026, a diferença proporcional do custo do seguro de veículos elétricos em relação aos modelos a gasolina era de 0,3 ponto percentual. O seguro do elétrico correspondia a 3,7% do valor do carro, enquanto o de gasolina ficava em 3,4%.
O seguro de carro híbrido é mais barato que o de carro elétrico?
Sim. De acordo com dados de junho de 2026 da TEx, o seguro de veículos híbridos correspondia, na mediana, a 2,7% do valor do automóvel, sendo mais barato que o de carros a gasolina (3,4%) e 100% elétricos (3,7%).
Este texto segue a política editorial do Bolso Coberto: dado conferido na fonte e revisão humana antes de publicar.
Dados e referências
- Associação Brasileira do Veículo Elétrico
- Grupo HDI
- TEx – Índice de Preço do Seguro de Automóvel (IPSA)
- ABVE e Tupi Mobilidade
Apuração a partir de material publicado por InfoMoney. O texto acima é original do Bolso Coberto.
